Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Martha + Cazuza = mente aberta



Ainda sobre Cazuza...eu não poderia de deixar de postar esse incrível texto da
jornalista Martha Medeiros. Concordo com ela e assino embaixo.


"Tem circulado pela internet um texto assinado ora por um ‘pai anônimo’, ora por uma ‘mãe anônima’, mas pouco importa. É o relato de uma pessoa escandalizada com o filme sobre Cazuza. Entre outras coisas diz: “é estarrecedor: as pessoas estão cultivando os ídolos errados”. E justifica: “reverenciar uma marginal como ele é inadmissível (...) a morte de Cazuza foi conseqüência de sua educação errônea” Esses trechos bastam para dar uma idéia do conteúdo. Já recebi várias cópias deste texto e aqueles que me enviam sempre perguntam: “Não acha que é um ponto de vista interessante?”
É uma visão limitada, atrasada e preconceituosa. Se fôssemos admirar apenas os trabalhos de bons moços, teríamos que ignorar Oscar Wilde, Chet Baker, William Burroughs, Janis Joplin, Eric Clapton, Billie Holiday, Kur Cobain, Pablo Picasso, Jack Kerouac, Ernest Hemingway, pra citar apenas alguns do nomes de uma longa lista de alcoólatras, viciados em drogas, pervertidos, egocêntricos, petulantes, loucos e geniais.

Não é preciso ser doidão pra realizar uma grande obra, há inúmeras pessoas talentosas que vivem de forma regrada, mas há que se respeitar aqueles que necessitam ser livres e que não estão prejudicando ninguém. Liberdade não combina com convenções. A liberdade é politicamente incorreta, a liberdade é personalista, a liberdade não se veste bem, não tem bons modos, não liga para o que os outros vão dizer. Ser livre tem um ônus que poucos se atrevem a pagar. Cazuza pagou com músicas belas e viscerais, que comovem até hoje, e que possivelmente não teriam sido criadas caso ele fosse um menino temente a
Deus com um emprego burocrático de segunda a sexta. Nada contra os tementes a Deus com empregos burocráticos, eles dão bons pais de família, bons médicos, bons carteiros e bons maridos, mas que não se queira exigir de um artista este tipo de comportamento.
Não há razão pra temer os desiguais. O autor anônimo do texto diz, a certa altura, que ficou horrorizado porque sua filha assistiu o filme e foi preciso conversar muito com ela para explicar que usar drogas, beber até cair e participar de bacanais não são coisas certas. Concordo que não é um estilo de vida dos mais saudáveis, porém entre o certo e o errado há muitas outras coisas, com dizia o próprio Cazuza, e não podemos fingir que o mundo é composto apenas de super-heróis imunes a fraquezas, a curiosidades e a ímpetos que nem sempre estão dentro dos padrões.

O que importa na vida de um artista é sua arte, é o que ele deixa de legado. Biografias, filmadas ou escritas, servem apenas para entender a época em que ele viveu, quais eram seus conflitos, qual a fonte de sua inquietação. Ao se contar uma história de vida, seja ela qual for, humaniza-se o personagem. Será que foi essa explicação que a menina adolescente recebeu depois de assistir o filme, ou será que ela recebeu uma bela lição de maquineísmo? Meu caro anônimo, há muitas formas de se ministrar uma educação errônea. Citar Cazuza como ídolo inadequado é de uma miopia desoladora. O que dizer de vários ídolos pré-fabricados que nada acrescentam artisticamente, que não emocionam nem instigam, apenas vendem sandalinhas? Deixemos os artistas – os verdadeiros, os realmente inspirados – experimentem a desobediência, testem seus próprios limites, busquem a vida nos buracos sujos onde ela se esconde. Todos aqueles que pintam, dançam, cantam, escrevem, e atuam com as veias saltadas, com sangue quente, com a alma aos gritos, estão na verdade ajudando a revelar a nós mesmos, cidadãos acima de qualquer suspeita.

Só p’ra citar outros maravilhosos marginais que valem um milhão de Sandys, Juniores, Xuxas, Vanessas e outros lixos insípidos: Raul Seixas, Jimi Hendrix, Ramones, David Bowie, Martin Luther King, The Who, Marlon Brando, James Dean, Salvador Dali, Luis Buñel, Secos & Molhados, Artur Rimbaud, Paul Verlaine e milhares de outras pessoas que eu gostaria de ter conhecido.
Tenho pena dessa adolescente que provavelmente vai ter que passar por experiências inalienáveis a todas as pessoas dessa idade sem o apoio fraterno e sincero dos pais castradores e de pensamento lógico e emocional limitado".

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Por toda minha vida - Cazuza


Acabo de assistir Por Toda Minha Vida, programa da Rede Globo, que na nova temporada homenageou o cantor Cazuza.

Como o cantor, o programa não precisa de apresentações.

E como os anteriores, Por Toda Minha Vida foi perpicaz, emocionante e profundo.

Mostrou depoimentos dos grandes amigos, parceiros e familiares que viveram com o cantor.

Em alguns minutos pode-se ver imagens de arquivo e discursos de Pedro Bial, Ney Matogrosso, Sandra de Sá, Bebel Gilberto, Roberto Frejat, Ezequiel Neves e os pais de Cazuza, Lucinha e João Araújo.

Há de ressaltar que o programa focou muito bem a trajetória do artista pelos palcos, e deixou pela tangente, a doença que tirou a vida do cantor no auge dos seus 32 anos.

Além das habilidade artísticas, Cazuza foi um dos últimos representantes de uma geração que subtraiu a caretice e a jogou pelo ralo.

Apesar de toda sua chatice, tagarelice, loucura, controvérsia, era um rapaz com muito conteúdo, que tinha o que falar, mesmo que suas palavras fossem tão letais como balas de uma metralhadora giratória.

Convenhamos, mostrava ser uma cara verdadeiro e muito a frente do nosso tempo.

Ídolos como ele fazem falta!!!

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Maurício de Souza cria personagem gay



Depois de Dorinha, com deficiência visual, e de Tathiana Heiderich, com síndrome de Down, mais uma vez, Maurício de Souza traz uma significativa contribuição para o mundo dos quadrinhos.

A 6ª edição da revista "Tina", já nas bancas, mostra ao público o primeiro personagem gay criado pela equipe do cartunista. Na história, Caio é o melhor amigo de Tina e deixa outros personagens surpresos quando se diz comprometido, apontando um outro rapaz.

Segundo o jornal Extra, Tina, criada nos anos 60 e que hoje estuda jornalismo, aproveita e faz um dircurso contra o preconceito. Caio, aos poucos, vai ganhar mais espaço nas histórias.

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Enquete contra homofobia



O site do Senado postou a seguinte enquete:

Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?

Se tiver um tempo, entre no endereço eletrônico e vote sim, ok?

Sábado, Novembro 07, 2009

Fama



Quanto custa a fama? O que faz uma pessoa talentosa alcançar o sucesso? Responder essas questões em um universo contemporâneo, em que qualquer um pode obter seus 15 minutos de celebridade, é intrigante.

Chega-se a essa comparação quando se assiste a nova versão cinematográfica de Fama, que estreia neste fim de semana.

O remake do filme original de 1980, vencedor do Oscar e que teve a direção de Alan Parker, até que não deixa muito a desejar.

Ele consegue mostrar com verossimilança, um grupo de talentosos dançarinos, cantores, atores e artistas, ao longo de quatro anos na Escola de Artes da New York City High School.

É o lugar dos sonhos de quem quer ser artista. Para se ter uma ideia, a LaGuardia Arts, como também é conhecida, já teve alunos como Jennifer Aniston, Adrien Brody, Sarah Michelle Gellar, Liza Minnelli e Suzanne Vega.

É um habitat em que se destaca só quem tem muito talento, dedicação e trabalho árduo. E nada é fácil para esses jovens que ainda têm que lidar com paixões, angústias, insegurança e decepções.

O filme traça um caleidoscópio de várias hístórias: Denise (Naturi Naughton), que está indecisa entre a carreira de pianista e a de cantora, e é severamente cobrada pelo pai; o músico vanguardista Victor (Walter Perez); o problemático ator e rapper Malik (Collins Pennie); o cineasta sonhador Neill (Paul Iacono); o inseguro bailarino Kenvi (Paul McGill), entre outros. Todos eles vão se deparar com conflituosas e afetuosas relações com seus mestres.

Uma das professora é a brincalhona Fran Rowan (Megan Mullally, do seriado Will & Grace) que mostra dotes invejáveis por meio da voz. Outra cena comovente e belíssima é com a aluna Denise. Vê-la tocar piano e cantar Out Here on My Own, de Naturi Naughton, é de amolecer o coração (e atingir o nível máximo de inveja pra quem não tem dom artístico como eu)

Por outro lado, Fama fica desarmônico na construção dos personagens. Ao mesmo tempo que dá espaço para um romance novelesco chato, deixa de lado conflitos de outros personagens que poderiam ter sido aprofundados. Inclusive alguns deles entram em cena meramente como fantoches figurinistas.

É uma pena porque tinha tudo pra ser um filme bem amarrado. Infelizmente há de se contentar só com a trilha sonora e as perfomances, tudo com muito estilo.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

This is it



Que me desculpem os fãs de Michael Jackson, mas This Is It é difícil demais de engolir. É o típico produto refém de propaganda enganosa.

É lógico que diante das circunstâncias, o filme tenta preencher um vazio nos corações até dos pouco apegados ao legado do rei do pop.

Não tem como considerar que a morte do cantor, justamente, na prévia da sua turnê mais esperada dos últimos tempos, veio como uma facada certeira.

E This Is It parece considerar isso, mas de forma muito oportunista. O que se vê ali são 120 minutos de puro marketing bossal, e uma edição convencional e sem ritmo.

O filme só reforça o mito Michael Jackson. Essa era chance (e creio que seria uma digna homenagem) de mostrar o ídolo mais humano.

Ou alguém acha que uma pessoa tão perfeccionista como Michael agiria o tempo todo com aquela candura? Dizendo toda hora "Deus te abençoe"? Pelo documentário, os olhos mais atentos vão perceber que ele era sim uma pessoa difícil de lidar, até por ser tão meticuloso com o seu trabalho (característica invejável por sinal).

Faltou bastidores, faltou mostrar de forma mais profunda como era a relação dele com a equipe. E principalmente como estava sua condição física em horas maçantes de ensaio.

Ao invés de gastar rolos com um factóide, seria muito mais grato se os produtores nos deliciasse com um olhar mais particular e sincero deste grande artista.

This isn´t it!!!

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Estiloso David Banda



Se tem uma coisa que o pequeno David Banda já incorporou foi o estilo da mãe, Madonna.

Em uma visita ao seu país de origem, o Malawi, o danado fez pose, junto com sua irmã, Mercy, com uma roupa pra lá de fashionista.

Vogue!!!

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Branca de Neve como você nunca viu.

É interessante ver que muitos videoclipes se prestam a fazer trabalhos dignos de admiração.

Um deles é Sonne (Sol), da banda alemã Rammstein.

O clipe é subversivo. Mostra uma Branca de Neve drogada, viciada em cheirar pó de ouro. Se não bastasse, ela ainda tem tendências suicidas e é uma déspota recalcada sexualmente.

Um conto de fadas com final feliz.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Surreal...

Mais uma gafe com teor homofóbico apresentada por um governador.

Agora foi a vez de Roberto Requião, do Paraná. Em uma declaração durante o programa Escola de Governo, veiculado pela TV Educativa, o político relacionou a ocorrência de câncer de mama em homens às passeatas gays.

Já não bastasse as infundáveis teorias que demonizam a comunidade gay, ainda se é bombardeado com mais uma ideia sem racionalidade consistente. Nem merece comentário a respeito.

No entanto, o que assusta mesmo é a crescente postura de autoridades públicas dizerem qualquer besteira na frente da televisão, sem se importarem com as consequencias de suas palavras.

Quem não se lembra do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que foi chamado de "viado", "maconheiro" e ainda ameaçado de estupro pelo governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli.

Enquanto aqui ecoa vozes da Idade Média, na Itália a banda anda tocando um pout porri danado...

O governador da região italiana de Lazio, Piero Marrazzo, renunciou ao cargo após ter se envolvido em um escândalo sexual com travestis brasileiros.

A imprensa internacional diz que Marrazzo se redimiu e busca um convento que aceite hospedá-lo. Até o momento ele só encontrou respostas negativas das instituições religiosas.

Surreal?

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Fantástico?




O Fantástico deixou de ser fantástico há tempos.

Na noite de domingo, o programa obteve média de 18 pontos, segundo o Ibope. A Record, com Gugu, registrou 16 pontos. E a Rede TV, com o 'Pânico', 11.

A Rede Globo estuda agora mudar o 'Fantástico', programa que está no ar há mais de 30 anos.

A alteração já passou da hora. Há décadas que a revista eletrônica é uma colcha de retalhos, que deu espaço para quadros humorísticos insossos.

Nada melhor que um pouco de nostalgia.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Godofredo



Direção e edição: Sharon

Aí vai um ótimo vídeo pra começar a segunda-feira muito bem!!!

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Amadureça!



Uma dica pra deixar de ser emocionalmente retardado. Veja o filme Novidades no Amor.

Sandy (Catherine Zeta-Jones) uma bela quarentona com dois filhos, resolve recomeçar a vida em Nova York depois de um casamento frustrante e traumático.

Quando contrata Aram (Justin Bartha), um rapaz de 24 anos, para cuidar das crianças, sua vida vira de ponta a cabeça. Eles vão estreitando a relação até se envolverem emocionalmente.

Aram é o sonho em pessoa. Por traz da sua aparência juvenil, está um rapaz delicado, atencioso, compreensivo. Até que enfim, um filme retrata nós homens de outra forma, não só como predadores sexuais.

É provável que alguns pensem que um cara como Justin está fora de moda. Parte está em extinção mesmo, mas existe. É aquele homem singular que só se encontra como se ganhasse na loteria.

Mas voltando ao filme, as inseguranças e os preconceitos vão fazer alguns questionamentos virem à tona: duas pessoas com idades tão distintas podem dar certo? O que há de utópico e real neste tipo de relação? Até que ponto eu coloco no outro minhas carências? E onde o ser humano precisa chegar pra saber valorizar quem está do seu lado ou para expurgar aquele que só te faz descer para o abismo?

Não saber lidar com essas situações e fazer do outro um simples tamagotchi sexual, sem mostrar as cartas, é ser emocionalmente retardo. Independente se você tem tantos anos a mais ou um pós-doutorado impronunciável.

Todo mundo na vida passa por essa fase, mesmo sendo a caça ou o caçador, mas permanecer em qualquer uma delas é um retrocesso senti(MENTAL) .

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Fox Clothes



A imprensa mundial só comentou isso hoje.

Um grupo de judeus ultra-ortodoxos se revoltou contra um cartaz publicitário no qual a modelo israelense Bar Rafaeli (ex-Leonardo Di Caprio) aparece em imagens sugestivas.

O anúncio mostra a modelo beijando um homem e, em outra cena, deitada em uma cama vestindo somente uma calça jeans e cobrindo os seios com um edredom.

Cá pra nós, tem certeza que olhando de perto isso é realmente o mais importante?
Lógico que tem pohh: são as "roupas" rssrsr.







Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Arrebenta...



Bárbara Paz está imbatível como Renata na novela Viver a Vida. A personagem sofre de drunkorexia – distúrbio alimentar em que a pessoa troca comida por bebidas alcoólicas.

É uma das poucas pérolas do folhetim. Talento desperdiçado há tempos, não?

Um pouco de Saramago não faz mal a ninguém



Quando eu ficar velho quero ter a lucidez do José Saramago. Pra mim, o nobel da Literatura em 1998, é um dos poucos escritores "FODA". Sempre atual, progressista, e ainda continua escrevendo como nunca.

Gosto sempre das suas ideias e de seus comentários. Suas palavras abrem minha consciência.

Ah se tudo mundo lesse um pouco de Saramago.

A última porrada certeira dele tem causado uma polêmica daquelas.

Ela veio no lançamento do seu novo livro, Caim. O que se esperar da nova obra? Vem chumbo grosso pela frente.

"O Deus da Bíblia é vingativo, rancoroso, má pessoa e não é confiável".

"Na Bíblia há crueldade, incestos, violência de todo tipo, carnificinas. Isso não pode ser desmentido; mas bastou que eu o dissesse para suscitar esta polêmica".

"Há incompreensões, já sabemos que sim, resistências, também sabemos que sim, ódios antigos".

"Sou uma pessoa que gera anticorpos em muita gente, mas não ligo. Continuo fazendo meu trabalho".

"O que eles querem e não conseguem é colocar ao lado de cada leitor da Bíblia um teólogo que diga à pessoa que aquilo não é assim, que é preciso fazer uma interpretação simbólica, e a isto chamam exegese".

Assino em baixo.

Da France Presse, em Lisboa e Folha Online.